No dia 10 de março, a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) realiza o seminário Gilka Machado, Maria Lacerda de Moura e Patrícia Galvão: Literatura, Vida e Revolução, que marca a abertura das atividades do ano. As três autoras, Gilka Machado, Maria Lacerda de Moura e Patrícia Galvão, desempenharam papéis fundamentais antes mesmo da consolidação do mercado editorial brasileiro e da universidade pública. Elas foram as protagonistas de uma época, utilizando o livro e a imprensa como ferramentas para formar pessoas que acreditavam na transformação social.
Organizado por Fernanda Grigolin (BBM-FFLCH) e Luciana Carvalho Fonseca (FFLCH), o encontro integra uma série de quatro mesas, com duração de 30 minutos cada, e será acompanhado, ao final do ciclo, por uma exposição com livros das autoras, que acontecerá na Sala Rubens Borba de Moraes.
Gilka Machado tensionou padrões de moralidade a partir da afirmação do desejo feminino e foi figura central na revolução da forma poética. Maria Lacerda de Moura, intelectual anarquista e uma das primeiras vozes antifascistas das Américas, articulou crítica social e emancipação feminina ao defender que as transformações pessoais e coletivas são inseparáveis. Já Patrícia Galvão, a Pagu, expandiu esse campo de ação ao unir literatura experimental, jornalismo e militância. Ao colocar essas três figuras em diálogo, o seminário propõe pensar a existência de uma linhagem de mulheres revolucionárias na literatura brasileira pela criação de redes intelectuais e pela recusa em separar literatura, vida e revolução.
A programação contará com a participação de pesquisadoras vinculadas a diferentes instituições, promovendo um diálogo interinstitucional entre a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Federal do Paraná (UFPR), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
Além das mesas de debate, o evento contará com uma exposição de obras das autoras pertencentes ao acervo da BBM, com edições históricas, apresentada por Mariana Mendes e Fernanda Grigolin. Entre os destaques estão Mulher nua (1922), de Gilka Machado, O individualismo neoestoico de Han Ryner (1928), de Maria Lacerda de Moura, e Pagu: o romance da época anarquista, entre outros títulos que ajudam a contextualizar a relevância literária e política dessas autoras e das que as antecederam. O evento é voltado a estudantes de graduação e pós-graduação da USP, bem como ao público interessado em literatura, história e estudos de gênero.
Confira a programação completa do evento:
14h – 14h15 | Boas-vindas
Abertura do evento com as organizadoras - Fernanda Grigolin (BBM-USP; FFLCH-USP) e Luciana Carvalho Fonseca (FFLCH) - e Alexandre Macchione Saes (diretor da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin),
14h15 – 14h45 | Mesa de Abertura
Aquelas que antecederam: As mulheres escritoras no século XIX – Délia (Maria Benedicta Câmara Bormann) e Maria Firmina dos Reis.
Com Laila Correa e Silva (BBM-USP; FFLCH-USP) e Luciana Diogo (FFLCH-USP; IEB-USP), com mediação de Dandara Luigi (FFLCH-USP).
Laila Correa e Silva é pesquisadora residente na BBM-USP e doutora em História Social pela UNICAMP e pós-doutoranda em História Social na USP/DH-FFLCH. Graduada em Filosofia, História e Estudos Literários pela UNICAMP e mestra em Filosofia pela mesma instituição. Foi Visiting Fellow na Harvard University, no Departamento de História da Graduate School of Arts and Sciences (GSAS). Autora das obras Josephina, Ignez e Délia: a literatura combativa das mulheres de letras no Brasil de fins do século XIX, Délia: contos esquecidos e Angelina e o conto A Ama.
Luciana Diogo é doutora em Literatura Brasileira (FFLCH-USP). Atua nas áreas de Crítica e Formação Literária, com ênfase nos estudos sobre trajetórias autorais de escritoras negras. Ao investigar a dinâmica de articulação entre literatura, crítica jornalística e público, tem refletido sobre temas como escritas de si (cartas e diários), cultura negra e escravidão.
Dandara Luigi é mestranda em Antropologia Social pelo PPGAS/FFLCH-USP, com bolsa FAPESP, e arquiteta urbanista por formação. Desenha e escreve sobre gênero, corpo e cidade, tomando o espaço urbano como campo de experiências corpográficas. Sua produção pode ser encontrada em publicações e projetos editoriais, como na coleção Charlas y Luchas e no Cadernos Pagu.
14h50 – 15h20 | Mesa 1 — Gilka Machado: a mulher que deseja vida e revolução para si e para outras mulheres
Análise da obra e da trajetória de Gilka Machado, com foco na revolução formal, na circulação em redes latino-americanas e na articulação entre vida, arte e política.
Com Jaqueline Borges (UFSCar) e Suzane Veiga (UFRJ), com mediação de Jamyle Rkain (ECA-USP).
Jaqueline Ferreira Borges é doutora em Estudos de Literatura pela UFSCar. Desenvolve pesquisas sobre literatura brasileira de autoria feminina, poesia e gênero. Está vinculada ao Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Poesia e Cultura – NEPPOC - UFSCar/CNPq e é membra da Academia Feminina Sul-Mineira de Letras (AFESMIL). Atualmente, é professora de Língua Portuguesa da rede SESI-SP.
Suzane Veiga é doutora em Literatura Brasileira pela UFRJ, professora e poeta. É pesquisadora do Núcleo de Estudos da Mulher na Literatura (NIELM-UFRJ) e autora dos livros Performances Poéticas (2018), Criatura dentada (2024) e Entre vozes e olhares (no prelo). É também editora e ilustradora em Mapa das Letras, e cofundadora da coletiva e grupo de leitura Escritoras Vivas.
Jamyle Rkain é bacharel em jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e mestranda em Artes Visuais pela Universidade de São Paulo. Especialista em comunicação para o setor cultural, atualmente é coordenadora da área na Cinemateca Brasileira. Pesquisa Gilka Machado há 12 anos, sendo responsável pelo espólio da poeta junto aos herdeiros. Organizou as duas edições mais recentes da poesia completa de Gilka Machado (Demônio Negro/2017 e Círculo de Poemas/2025).
15h25 – 15h55 | Mesa 2 — Maria Lacerda de Moura: a primeira a imprimir a palavra antifascismo e falar de amor plural no Cone Sul
Debate sobre o ideário de Maria Lacerda de Moura, suas críticas ao autoritarismo, à moral dominante e às estruturas de opressão.
Com Fernanda Grigolin (BBM-USP; FFLCH-USP) e Nabylla Fiori de Lima (UFPR), com mediação de Maria Cecília Ferreira (BBM-USP; FFLCH-USP).
Fernanda Grigolin é pesquisadora residente na BBM-USP e doutora em Artes Visuais pela Unicamp. Investiga feminismos latino-americanos, mediação cultural, tradução e livro de artista. É também artista visual, e suas publicações integram acervos internacionais de livros de artista, como os do MoMA e da Tate. Realiza pós-doutorado no Departamento de Letras Modernas da FFLCH-USP e integra o GRETAS – Grupo de Estudos, Pesquisa e Ação em Feminismos, Gênero e Tradução (FFLCH-USP).
Nabylla Fiori é pesquisadora e doutoranda em Estudos Literários pela UFPR. Doutora em Tecnologia e Sociedade pela UTFPR e graduada em Letras, desenvolveu pesquisas sobre literatura e pensamento anarquista. Seu mestrado foi dedicado à obra de Maria Lacerda de
Moura e, no doutorado, ampliou a investigação para o anarquismo individualista. É co-organizadora de uma coleção que reúne textos de Maria Lacerda de Moura em espanhol (Tren en Movimiento, 2022 e 2023).
Maria Cecília Ferreira é pesquisadora-residente na BBM-USP, mestranda em História Social pela FFLCH-USP e bolsista FAPESP. Especialista em museologia (MBA em Gestão de Museus e Inovação – ABGC), desenvolve pesquisa em história urbana, cultura material e visual, estudos de gênero, tecnologia e moda. Integra o GEMA – Grupo de Pesquisa Espaço Doméstico, Corpo e Materialidade - Museu Paulista-USP.
16h – 16h30 | Mesa 3 — Patrícia Galvão (Pagu): a intersecção entre sua vida, sua produção literária e seu ativismo político
Panorama de sua produção, buscando entretecer biografia, ativismo político e atuação na esfera pública como autora e jornalista.
Com Sandra Vasconcelos (FFLCH-USP), com mediação de Luciana Carvalho Fonseca (FFLCH-USP).
Sandra Guardini Vasconcelos é professora titular sênior de Literatura Inglesa e Comparada na Universidade de São Paulo. Pesquisa as relações entre o romance inglês dos séculos XVIII e XIX e o romance brasileiro do século XIX, com Bolsa de Produtividade em Pesquisa do CNPq (1A). É organizadora de diversos livros e autora de Puras Misturas. Estórias em Guimarães Rosa, Dez lições sobre o romance inglês do século XVII e A Formação do Romance Inglês: Ensaios Teóricos (Prêmio Jabuti 2008). Desde 2006, é curadora do Arquivo João Guimarães Rosa do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB-USP).
Luciana Carvalho Fonseca é professora associada no Departamento de Letras Modernas da FFLCH-USP. Lidera o Grupo de Estudos, Pesquisa e Ação em Feminismos, Gênero e Tradução (GRETAS-CNPq). Entre seus temas de pesquisa estão os estudos da tradução/interpretação feminista e decolonial, maternidades, história e historiografia da tradução e tradução jurídica.
16h30 - 17h30 | Exposição de Livros
Apresentação de obras do acervo da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, com destaque para Pagu: O romance da época anarquista; O individualismo neoestoico de Han Ryner, de Maria Lacerda de Moura; Mulher nua (primeira edição, de 1922), de Gilka Machado; Celeste, de Délia; e Úrsula, de Maria Firmina dos Reis.
A exposição ocorrerá na Sala Rubens Borba de Moraes da BBM e será apresentada por Mariana Mendes (FFLCH-USP) e Fernanda Grigolin (BBM-USP; FFLCH-USP).
Mariana Mendes é doutoranda em Literatura Brasileira e bacharel em Letras pela USP com pesquisas em torno das escritas testemunhais de mulheres no Brasil (em particular, diários íntimos). Destaca-se sua residência na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM/USP), onde estudou e realizou a primeira transcrição do diário de Patrícia Galvão, O romance da época anarquista, em parceria com Gênese Andrade.
Serviço
Seminário – Gilka Machado, Maria Lacerda de Moura e Patrícia Galvão: Literatura, vida e revolução
Quando: 10 de março de 2026, das 14h às 17h30
Onde: Sala Villa-Lobos – Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM-USP)
Inscrições gratuitas neste link.
Haverá emissão de certificado de participação.