Exposição São Queiroz: Litografia e Enigma

Exposição conecta álbuns de viajantes do século XIX com arte contemporânea

A Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin da USP (BBM) recebe,  a partir de 17 de janeiro, a exposição São Queiroz: Litografia e Enigma. Inédita, a mostra pretende traçar um breve painel da utilização da litografia ao longo da história do Brasil, destacando particularmente o seu uso na arte contemporânea, como um meio de expressão autônomo e ainda instigante ao olhar.

“As brasilianas são coleções que tem como tema especificamente o Brasil, seja em forma de livros, desenhos, artes etc. Nesta exposição selecionamos os álbuns dos viajantes que estiveram no Brasil no século XIX. Ver esse material era uma forma de viajar sem sair do lugar. Um outro jeito de conhecer o novo mundo”, relata Luiz Armando Bagolin, filósofo, docente e pesquisador do Instituto de Estudos Brasileiros da USP (IEB),  que também assina a curadoria da exposição.

Esses compilados eram ilustrados com desenhos e gravuras em litografia, uma técnica de impressão que consiste em fazer a imagem em uma superfície de uma pedra calcária, que, depois de ser tratada quimicamente, recebe a tinta que vai reproduzir várias imagens ou textos.  

A exposição São Queiroz: Litografia e Enigma é uma mostra individual com cerca de 40 litografias e monotipias, nunca antes disponíveis ao público, de trabalhos recentes da artista luso-brasileira São Queiroz, desenvolvida de modo a se relacionar com algumas obras raras e especiais pertencentes ao acervo fixo da biblioteca.

O campo de atuação da artista, que descobriu a arte na infância, é um espaço afetivo, de recepção e de registro das memórias recolhidas a partir das inúmeras viagens que tem feito pelo mundo e que mantém como parte de seu processo criativo, porquanto é das experiências deste nomadismo que a sua produção se origina e nutre. “Neste sentido, São Queiroz seria hoje o que os historiadores da arte do século 20 nomearam para alguns artistas do século 19: uma “artista viajante””, destaca Bagolin.

Para a mostra, foram escolhidos livros raros e álbuns nos quais a litografia foi a principal técnica de impressão para a realização de obras com imagens sobre o Brasil ou a América, fundamentais para a compreensão de nossa história.

Estarão presentes itens tais como Journal of a Voyage to Brazil, and residence there, during parto of the years 1821, 1822, 1823 (Ed. 1824) de Maria Graham, preceptora dos filhos de D. Pedro I; Views in South America, from original drawings made in Brazil, the river Plate, the Paraná, & c., de William Gore Ouseley; o Reise in Brasilien (Ed. 1823 a 1831) de Johan B. Spix e Carl F.P. Von Martius; e destes mesmos autores, o incrível Flora Brasiliensis..(Ed entre 1840 e 1906),  obra que, em sua íntegra, possui 40 volumes e 6246 litografias.

A exposição contará ainda com exemplares de importantes trabalhos de poetas brasileiros ilustrados com litografias, como Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade.

“A própria montagem da mostra envolve a ideia de várias lâminas e camadas que remetem às fases do trabalho da litografia. O objetivo é demonstrar como as [coleções] brasilianas não estão fechadas, ou seja, a arte contemporânea pode agregar, e elas podem ser atualizadas”, afirma o curador Bagolin.

A Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin é um órgão da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP (PRCEU). Foi inaugurada em 2013 para abrigar e integrar a coleção brasiliana reunida ao longo de mais de oitenta anos pelo bibliófilo José Mindlin e sua esposa Guita. Com o seu expressivo conjunto de livros e manuscritos, a brasiliana reunida é considerada a mais importante coleção do gênero formada por particulares.

Serviço

SÃO QUEIROZ: LITOGRAFIA E ENIGMA

Onde | Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin da USP – Sala Multiuso
Endereço: Rua da Biblioteca, 21, Espaço Brasiliana, Cidade Universitária, São Paulo-SP
Tel: (11) 2648-0310

Abertura e vernissage | 17 de janeiro de 2019, das 18 às 20 horas.
Visitação | De 18/01 a 28/02/2019, das 8h30 às 18h30, de segunda à sexta-feira

Entrada gratuita
O local possui acessibilidade para cadeirantes.