Saiba a importância de Rubens Borba de Moraes para a formação da BBM e para a cultura

O bibliotecário, bibliógrafo, bibliófilo, historiador, pesquisador, professor e modernista nomeia uma Sala da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, que abriga também cerca de 2300 volumes de seu acervo

Publicado: 23/07/2025

Por Eliete Viana

Neste ano, em 23 de março, completou-se 12 anos da inauguração do prédio e do funcionamento pleno das atividades da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) da USP. Levando em conta o gesto de doação do acervo pelo casal Guita e José Mindlin, realizado em 2006, mais 7 anos seriam somados à comemoração desta data.

Rubens Borba de Moraes meio do texto

Bibliógrafo Rubens Borba de Moraes. Foto: Instituto Hercule Florence.

Para contar um pouco mais sobre essa história, serão publicados uma série de textos sobre os espaços da BBM nomeados em homenagem a pessoas que, de alguma forma, estiveram ligadas à trajetória da Biblioteca: Laboratório de Conservação Preventiva Guita Mindlin, Sala Villa-Lobos, Sala de Consulta Rubens Borba de Moraes e Sala de Grandes Formatos Cristina Antunes.

Esta terceira publicação da série apresenta quem foi Rubens Borba de Moraes (1899-1986), que nomeia uma sala da BBM. Localizada no primeiro andar, a Sala de Consulta Rubens Borba de Moraes possui seis mesas com quatro cadeiras cada, e é onde os pesquisadores e o público em geral têm acesso às obras do acervo da BBM. Para realizar uma pesquisa nesta Sala, é necessário fazer uma solicitação pelo formulário Requisição de consulta, disponível no site da BBM.

Sala Rubens Borba de Moraes

Sala de Consulta Rubens Borba de Moraes. Foto: Julia Forner.

Rubens Borba de Moraes foi bibliotecário, bibliógrafo, bibliófilo, historiador, pesquisador, professor e modernista. Ele foi um dos precursores a pensar a biblioteca como instituição cultural a serviço da formação de uma nação brasileira. Dentre as bandeiras levantadas por ele a partir da década de 1930 podemos citar a profissionalização do bibliotecário, a criação de um sistema de bibliotecas na cidade de São Paulo; a criação da primeira Associação de Bibliotecários (APB). Ele doou parte de seu acervo para o bibliófilo José Mindlin, material que faz parte hoje da BBM: são cerca de 2300 volumes, contando os livros e folhetos da coleção RBM, e também há um fundo de arquivo, onde há muitas cartas, fotografias, anotações de aula etc.

Modernista

Ele nasceu em 23 de janeiro de 1899, na cidade de Araraquara, São Paulo. Estudou na Faculdade de Letras de Genebra, na Suíça. No Brasil, manteve fortes laços com o grupo de artistas precursores do movimento modernista, que deu forma à Semana de Arte Moderna de 1922, como Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Guilherme de Almeida, Luís Aranha, Mário de Andrade, Menotti del Picchia e Oswald de Andrade — só não participou da Semana por estar doente na ocasião.

De 1936 a 1942, dirigiu a Divisão de Bibliotecas do Departamento Municipal de Cultura de São Paulo, tendo promovido a reforma da Biblioteca Municipal, atual Biblioteca Mário de Andrade, e a construção de um edifício adequado à guarda das coleções que tinham aumentado de forma extraordinária. Também foi diretor da Biblioteca Nacional (1943-1948) e, ao final daquela década, assumiu a direção da biblioteca e do centro de informações da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nos Estados Unidos (1948-1958). Além disso, foi professor titular e, depois, emérito da Universidade de Brasília (UnB).

Contribuiu na fundação da Escola Livre de Sociologia e Política — hoje Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo —, fundou o primeiro curso de Biblioteconomia do Brasil, mantido pela Prefeitura de São Paulo e absorvido, anos mais tarde, pela Escola.

O multifacetado e Rubens Borba de Moraes morreu em 2 de setembro de 1986, aos 87 anos, em Bragança Paulista, também no estado de São Paulo.

Desde 1987, o Conselho Regional de Biblioteconomia – 1ª Região (CRB-1), com sede no Distrito Federal e jurisdição nos estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, confere a Medalha Rubens Borba de Moraes a profissionais desta região que tenham se destacado para a expansão e o aperfeiçoamento das áreas profissional e social, e que hajam participado com valiosa cooperação para a concretização de seus planos e programas de trabalho.

Livros

Quando estudou na Suíça, ele lançou seu primeiro livro, Le Chevalier au Barizel (O Cavaleiro em Barizel, em português), uma peça de teatro encenada em fevereiro de 1919. Em 1923, publicou seu primeiro livro de ensaios, Domingo dos Séculos, e, no mesmo ano, começou a colaborar na criação e lançamento de revistas vanguardistas, como a Terra Roxa & Outras Terras e a Revista de Antropofagia.

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Obras de Rubens Borba de Moraes do selo Publicações BBM. Foto: Divulgação Publicações BBM.

Da paixão pelos livros nasceu talvez a sua obra mais representativa, aquela que está definitivamente associada a seu nome: O bibliófilo aprendiz, originalmente publicado em 1965 pela então poderosa Companhia Editora Nacional. O selo editorial da Biblioteca, Publicações BBM, lançou a quinta reedição desta obra em 2018.

O selo já publicou outros dois títulos. Rubens Borba de Moraes: Anotações de um Bibliófilo, da pesquisadora Cristina Antunes, foi publicado em 2017 e reúne o conjunto das notas manuscritas por ele nos livros que constituem sua biblioteca. A obra é fruto do levantamento, registro e transcrição das anotações feitas nos próprios livros, notas manuscritas em papéis avulsos, recortes de jornais, recortes de catálogos e notas de venda emitidas por livreiros.

O segundo título, Cartas de Rubens Borba de Moraes ao Livreiro Português António Tavares de Carvalho, de 2018, organizado por Plinio Martins Filho, editor das Publicações BBM e professor do curso de Editoração da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, traz um conjunto de cartas trocadas com o livreiro português, onde se acompanha parte significativa da formação da Biblioteca Brasiliana de Moraes. Nas cartas, o bibliófilo relata a importância de cada obra desejada, adquirida ou não, traçando um amplo painel dos interesses que nortearam o colecionador. A leitura da correspondência vai ainda além da bibliofilia, mostrando a relação de Moraes com outras pessoas e colecionadores e sua visão do Brasil.