A mostra integra projeto que propõe refletir acerca dos impasses ambientais e civilizatórios do século XXI
Publicado em 26/03/2026
No próxima terça-feira, 31 de março, estreia na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) a exposição Langsdorff: A expedição fluvial 200 anos depois, realizada pelo Instituto Hercule Florence (IHF) em parceria com o Instituto Moreira Salles (IMS), a Documenta Pantanal e o Centro Maria Antônia da USP. Além da exposição, a iniciativa também contempla uma mostra de cinema, o lançamento de publicações e um colóquio sobre o tema.
Em meio ao agravamento da crise climática, ao avanço do desmatamento e às crescentes disputas em torno dos territórios tradicionais, o projeto Langsdorff: A expedição fluvial 200 anos depois lança uma pergunta incontornável: o que foi feito do Brasil percorrido e documentado há dois séculos? Ao marcar o bicentenário da partida da viagem fluvial do Tietê ao Amazonas, a iniciativa transforma uma das mais importantes viagens científicas do século XIX em ponto de partida para refletir sobre os impasses ambientais — e civilizatórios — que definem o século XXI.
Chefiada por Georg Heinrich von Langsdorff e financiada pelo Império Russo do czar Alexandre I, a expedição que partiu de Porto Feliz (SP) em 22 de junho de 1826 foi uma das mais ambiciosas incursões científicas já realizadas pelo interior do Brasil no século XIX. Mais do que mapear rios, coletar e catalogar espécies, a missão buscava compreender um território ainda pouco conhecido pelos centros europeus.
A exposição
Eixo central do projeto, a mostra realizada na Biblioteca tem curadoria do Instituto Hercule Florence. A exposição se divide entre a Sala Multiuso e a Sala BNDES, estabelecendo um diálogo direto entre passado e presente. Reunindo mais de uma centena de obras, a exposição justapõe imagens, relatos de viagens, publicações e documentos do século XIX com produções contemporâneas realizadas nas mesmas regiões atravessadas pela expedição.
De um lado, estão registros históricos e reproduções de materiais de Hercule Florence e de outros viajantes e naturalistas dos séculos XIX e XX. Do outro, trabalhos de fotógrafos como Lalo de Almeida, Paula Sampaio, Miguel Chikaoka e João Pompeu, que investigam temas como ocupação desordenada, assoreamento, desmatamento, queimadas, conflitos territoriais e a resistência de comunidades tradicionais nas regiões da Amazônia e do Pantanal.
Para Francis Melvin Lee, curadora do IHF, a iconografia da expedição não é apenas memória visual e maravilhada da natureza ali presente, mas o testemunho de um momento em que as consequências da intervenção humana ainda eram circunscritas. “Ao revisitarmos esses mesmos territórios hoje, o que emerge é uma paisagem atravessada por devastação e conflitos. A mostra tensiona esses dois polos para que possamos perceber a dimensão histórica da transformação que ocorreu nesse curtíssimo intervalo de tempo.”
Exposição Langsdorff: A expedição fluvial 200 anos depois
Onde: Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, na Rua da Biblioteca, 21, Cidade Universitária - SP
Quando: 31 de março, às 18h
Visitação: de 31 de março até 26 de junho de 2026
Horário: de segunda-feira a sexta-feira, das 8h30 às 18h30.
Quanto: entrada gratuita