Exposição organizada por Carla Fernanda Fontana conta a história gráfica de uma das mais importantes editoras para a literatura brasileira no século XX.
No dia 8 de julho, a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) abriu ao público a exposição "Artes Gráficas e Literatura: Livraria José Olympio Editora, Anos 1930–1960". Sob curadoria de Carla Fernanda Fontana, a mostra investiga a linguagem visual da editora e estabelece conexões entre projeto editorial, design gráfico e circulação literária.
Entre as décadas de 1930 e 1960, a José Olympio consolidou-se como uma das editoras mais influentes do país, não apenas pelo valor literário de seu catálogo, mas também pela excelência gráfica de suas publicações. A exposição concentra-se justamente nessa dimensão material e estética, reunindo capas e ilustrações que sintetizam a identidade visual da casa ao longo de trinta anos.
Com cerca de duzentos itens — selecionados entre os aproximadamente 2,5 mil títulos publicados entre edições e reedições —, a mostra revela a amplitude temática do catálogo e as sucessivas transformações editoriais e visuais que marcaram a trajetória da editora.

Abertura da exposição "Artes Gráficas e Literatura: Livraria José Olympio Editora, Anos 1930–1960" (Foto: Carolina Tae Hide)
Embora a memória literária e bibliográfica brasileira tenda a associar a José Olympio sobretudo à ficção nacional e às emblemáticas capas de Tomás Santa Rosa, a curadoria propõe um recorte mais abrangente. Os livros expostos evidenciam a pluralidade de gêneros, coleções e abordagens gráficas que a editora desenvolveu ao longo do tempo.
Para dialogar com diferentes perfis de leitores, a J.O. adotou estratégias visuais distintas. Nas obras consideradas mais populares, por exemplo, a padronização gráfica cede espaço a composições mais variadas e experimentais, muitas delas assinadas por capistas anônimos ou pouco documentados — o que demonstra uma dinâmica de criação mais coletiva e descentralizada do que costuma ser reconhecido.
A mostra dedica especial atenção aos cinco artistas gráficos que mais colaboraram com a editora no período: Tomás Santa Rosa, Luis Jardim e Poty — cujos trabalhos são amplamente conhecidos e identificados com a estética da casa —, além de Raul Brito e G. Blow, nomes praticamente esquecidos, mas que desempenharam papel igualmente decisivo na construção da visualidade da J.O.
O percurso expositivo é enriquecido por materiais de arquivo — esboços, artes-finais, provas de impressão e outros registros processuais — que permitem ao visitante acompanhar as etapas de criação e produção gráfica de cada capa e ilustração. Esses documentos revelam não apenas o método de trabalho de cada artista, mas também as negociações e adaptações exigidas pelas técnicas de impressão disponíveis na época, oferecendo um raro vislumbre dos bastidores da produção editorial brasileira em meados do século XX.
O evento contou com a presença da curadora Carla Fernanda Fontana. Formada em Design pela FAU-USP, mestre em Literatura Brasileira pela FFLCH-USP e bacharel em Comunicação Social – Editoração pela ECA-USP, Carla Fontana é editora-assistente da Universidade de São Paulo. Sua atuação concentra-se nas áreas de comunicação e design, com ênfase em editoração, história editorial, artes gráficas, ilustração e design editorial.

Obra Padrões e Variações: Artes Gráficas na Livraria José Olympio Editora, 1932–1962 / curadora Carla Fernanda Fontana (Foto: Carolina Tae Hide)
Na mesma data, foi realizado o lançamento de seu livro, Padrões e Variações: Artes Gráficas na Livraria José Olympio Editora, 1932–1962, publicado pela EDUSP. A obra, que deu origem à exposição, foi lançada na Livraria João Alexandre Barbosa.
A obra traz uma análise da história gráfica de editora e compila centenas de imagens, como capas, ilustrações, esboços, artes-finais e provas tipográficas de diversos livros da editora e diferentes artistas.
O evento reuniu visitantes, pesquisadores e amantes do livro para conhecer a exposição e celebrar o lançamento da publicação, em um encontro dedicado à valorização do livro, da pesquisa e da cultura.
A exposição "Artes Gráficas e Literatura: Livraria José Olympio Editora, Anos 1930–1960" fica em cartaz na BBM até 25 de setembro.
A exposição pode ser visitada, gratuitamente, de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 18h30, no saguão e na Sala Multiuso da BBM, na Rua da Biblioteca, 21 – Cidade Universitária, São Paulo.