A partir de 16 de setembro, a Biblioteca receberá atividades interativas que contarão com a presença de agentes do movimento cartonero
Publicado em 09/09/2025
Por Elena Souza
Neste mês, a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) receberá a Exposição Cartonear Democracias e o colóquio Edições Cartoneras: 22 anos, que contará com mesas-redondas, exibição de documentário e uma oficina. O evento e a mostra que o acompanha colocarão em evidência o trabalho das editoras cujas publicações se destacam como um instrumento de resistência.
O movimento cartonero propõe a publicação de livros confeccionados com capas de papelão, material proveniente de descarte, recuperado por coletores de materiais recicláveis. Os livros, “dos mais variados gêneros e formatos, com liberdade autoral, são produzidos de forma coletiva, como maneira de confrontar o mercado editorial tradicional e ampliar o circuito artístico-literário”, destacam as organizadoras do evento, Andrea Saad Hossne e Ariadne dos Santos, respectivamente professora titular e doutoranda do departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP
O primeiro coletivo a se definir como cartonero, o Eloísa Cartonera, da Argentina, foi criado em 2003 e mantém, até os dias atuais, o objetivo de produzir livros a partir do papelão. Desde então, a produção de livros com capas de papelão coloridas e miolos fotocopiados, confeccionados em oficinas, foi consolidada e difundida para outras partes do mundo. No Brasil, a produção de livros cartoneros foi iniciada em 2007 pelo coletivo Dulcinéia Catadora, de São Paulo.
Para celebrar as mais de duas décadas dessas produções, será realizado, nos dias 16 e 17 de setembro, o colóquio Edições Cartoneras, com apoio da BBM. O objetivo principal do evento é promover diálogo entre bibliotecários, agentes e pesquisadores envolvidos no movimento cartonero, e o público interessado nessas edições. Durante o encontro, serão debatidos os desafios trazidos às bibliotecas universitárias e ao campo da pesquisa por essas publicações no que diz respeito à institucionalização das edições cartoneras e sua catalogação.
Na mesma semana, de 16 a 19 de setembro, a Biblioteca receberá a Exposição Cartonear Democracias, que reúne edições cartoneras de 53 editoras situadas em 14 países ao redor do mundo. A coleção que compõe a mostra foi intitulada triplo A. O nome faz referência à expressão utilizada pela editora La Cartonera, do México, que define seus livros como duplo A, por serem artísticos e artesanais. No caso do nome da coleção que será exposta na BBM, as organizadoras explicam que foi adicionada a letra “A” de “ativista”, “tendo em vista que a seleção está composta por lutas democráticas em várias frentes: abolição das estruturas autoritárias, como o cárcere; busca por justiça, verdade e memória; criação de comunidades de resistência; construção de arquivos de vozes dissidentes; descolonização da infância e da velhice; resgate de saberes ancestrais e comunitários”.
Nesse sentido, as produções cartoneras, mais do que uma maneira alternativa de fazer livros, se revelam como um instrumento de resistência diante de opressões políticas e sociais.
Confira a programação completa do evento:


Serviço:
Colóquio Edições Cartoneras: 22 anos
Quando: 16 e 17/09, das 9h30 às 17h
Exposição Cartonear Democracias
Quando: 16 a 19/09, das 9h30 às 17h
Onde: Sala Villa-Lobos da BBM - Rua da Biblioteca, 21 - Cidade Universitária, São Paulo
Quanto: Entrada gratuita e sem necessidade de inscrição