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Instrumentos e batuques dos africanos vistos pelos viajantes
"É principalmente nas praças em torno dos chafarizes, lugares de reunião habitual dos escravos, que muitas vezes um deles inspirados pela saudade da mãe-pátria recorda algum canto. (...) Os instrumentistas, também improvisados, e sempre numerosos, trazem na verdade unicamente cacos de pratos, pedaços de ferro, conchas, pedras ou mesmo latas, pedaços de madeira etc." Em seu livro Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil, o pintor francês Jean-Baptiste Debret descreve assim o que hoje poderíamos chamar de uma roda de samba. Embora naquela época o ritmo não fosse exatamente o mesmo, a música como forma de lazer e expressão da criatividade era.

Jardim Botânico: estudo, pirataria e preservação
Os jardins botânicos europeus foram criados para cultivar e estudar plantas medicinais no século XVI, época das navegações, quando a aclimatação e cultivo de plantas trazidas de outros continentes se tornou uma prioridade. No final do século XVIII, os portugueses criaram seu primeiro jardim botânico no Brasil, em Belém, no Pará, com interesses comerciais. E o Jardim Botânico mais famoso do Brasil, o do Rio de Janeiro, foi abastecido com mudas de plantas trazidas do Jardim Botânico La Gabrielle, na Guiana, que pudessem ser comercializadas e proporcionar os lucros obtidos por Portugal na época do monopólio das especiarias.

No meio do caminho havia Cubatão
Sambaquis encontrados no sítio arqueológico Ilha do Casqueirinho, em Cubatão, comprovam a presença humana nessa região de mangue no pé da Serra do Mar, no litoral paulista, há mais de 5 mil anos, muito antes da chegada dos colonizadores e mesmo dos povos indígenas que habitavam o lugar por volta de 1500. Sambaquis são aglomerados de conchas, ossos, resíduos orgânicos e, muitas vezes, ferramentas de pedra lascada e polida, usadas pela população de caçadores-coletores nômades que se alimentavam dos mariscos e caranguejos abundantes no local.

Portos clandestinos prolongaram o tráfico de pessoas no Brasil
Por pressão do Império Britânico, a Coroa portuguesa se propôs a abolir progressivamente o tráfico de africanos no Atlântico. Depois da independência, a partir de 1830, o comércio de pessoas passou a ser tratado como pirataria, mas nem por isso cessou. Ao contrário, a onda conservadora, que se instalou no Império a partir de 1837 e apoiava os interesses dos fazendeiros de café, ignorou a lei de 1831 que declarava livres todos os escravizados vindos de fora do Império e impunha penas aos traficantes. Até a promulgação da lei Eusébio de Queirós em 4 de setembro de 1850, o tráfico de escravizados se manteve ativo com aparência de legalidade.

A música e a dança dos indígenas vistas pelos europeus
Os indígenas que habitavam a costa do Brasil tinham entre suas tradições diversas práticas que envolviam a música e a dança. As expedições guerreiras eram acompanhadas de uma comitiva de músicos, por exemplo. Alguns europeus que estiveram no Brasil no início da colonização, como o aventureiro alemão Hans Staden e o missionário francês Jean de Léry, registraram com espanto em suas obras cantos e danças dos tupinambás. A música também foi usada pelos missionários europeus como principal instrumento para a catequização dos povos originários.

A eficiência das paisagens de Friedrich Hagedorn
O alemão Friedrich Hagedorn foi um dos artistas mais produtivos no Brasil na segunda metade do século XIX, mas pouco se sabe sobre sua vida. Como outros artistas estrangeiros, veio tentar a vida e publicou anúncios de seu ateliê no Almanaque Laemmert. Viajou pela província do Rio de Janeiro, passando pelas cidades de Teresópolis, Petrópolis e Niterói, e também esteve em Minas Gerais, Bahia e Pernambuco. Apesar de também ser litógrafo, Hagedorn teve suas obras reproduzidas por diferentes editoras que atendiam ao interesse comercial por suas paisagens e panoramas e proporcionaram sua grande divulgação.

Os desenhos detalhistas de um colecionador de plantas e insetos
O naturalista inglês William John Burchell dedicou sua vida a coletar espécimes de plantas e insetos em diferentes partes do mundo ainda pouco exploradas no começo do século XIX. Com 24 anos, partiu para Santa Helena, no Atlântico Sul, seguiu para a África do Sul, em 1810, e em 1825 chegou ao Brasil. Passou um ano no Rio de Janeiro, fez viagens para Minas Gerais e a Serra dos Órgãos, foi para Santos, Cubatão, São Bernardo e São Paulo, e de lá partiu para Goiás, de onde subiu até Belém para pegar seu navio de volta à Inglaterra.
O palácio monumental que domina a paisagem de Belém
Até meados do século XVIII, Belém era praticamente uma vila, com construções precárias de teto de palha e parede de taipa. Os habitantes, inclusive os governadores e capitães da província, viviam em casas ameaçadas de desabamento. O artista italiano Giuseppe Antonio Landi, que chegou ao Brasil em 1753, foi o responsável pela transformação da cidade. Entre outras obras, foi o responsável pelo projeto do palácio que serviria de residência para os governadores do Grão Pará e Maranhão. Por sua grandiosidade, até hoje a construção, de 1772, se destaca no centro de Belém.
A sobrevivência das espécies na terra dos papagaios

Os papagaios, assim como as araras e os periquitos, todos da família Psittacidae, têm o cérebro mais desenvolvido do que o de outras aves e a capacidade de imitar diversos tipos de som, inclusive a fala humana. Abundantes no Brasil e adotados como animais de estimação pelos indígenas, que também usavam suas penas como ornamentos e sua carne como alimento, chamaram logo a atenção dos colonizadores que batizaram o território de "terra dos papagaios". Essas aves se tornaram desde o século XVI uma das principais vítimas do tráfico de animais e, nos últimos séculos, a destruição de seus habitats também contribuiu para seu desaparecimento na natureza.
Figuras colecionáveis de costumes brasileiros

O desenhista e cenógrafo brasileiro Joaquim Lopes de Barros Cabral Teive foi aluno da primeira turma da Academia Imperial de Belas Artes (Aiba). Ele publicou entre 1840 e 1841, com seu amigo litógrafo Frederico Guilherme Briggs, o álbum Costumes Brazileiros com 50 estampas que podiam ser compradas avulsas e se tornaria referência para muitos artistas que vieram depois. Mais da metade delas têm como protagonistas homens e mulheres escravizados que dominavam as ruas do Rio de Janeiro exercendo as mais diversas atividades profissionais.
Alfred Martinet, muitas atividades e um mistério

O pintor e litógrafo francês Joseph Alfred Martinet chegou ao Rio de Janeiro em 1841, época em que muitos artistas decidiram tentar a sorte no Brasil atraídos pelos incentivos de D. Pedro II e da Academia Imperial de Belas Artes. Como era costume, Martinet recorreu a anúncios em jornais para se tornar conhecido por aqui e passou a trabalhar na casa litográfica de Heaton & Rensburg, além de dar aulas de desenho em casa. Publicou um álbum com paisagens do Rio de Janeiro em homenagem a D. Pedro II, pintou e vendeu retratos de pessoas importantes da corte, fez litografias que acompanhavam partituras e "registros de santos", imagens religiosas de grande formato que tinham muita procura.
Teatros destruídos e remanescentes do Brasil

O teatro surgiu no Brasil ainda no período da colonização com os autos catequizadores que os jesuítas apresentavam para os indígenas em praças, igrejas e ruas. Somente no final do século XVIII começaram a ser construídos espaços próprios para as encenações teatrais, as chamadas casas de ópera. Entre os teatros que podemos ver na Brasiliana Iconográfica, o Teatro de Santa Isabel, no Recife, inaugurado em 1850, teve melhor sorte e est&aacut e; em funcionamento até hoje.
As butiques pitorescas do Rio de Janeiro na obra de Debret

A palavra francesa "boutique" designava um estabelecimento comercial com porta para a rua, que podia ser um armazém, uma loja de tecidos ou até uma farmácia. O conceito de butique como uma loja de roupas e ligado à moda e à sofisticação só foi se impor na França e no Brasil em meados do século XX. O artista francês Jean-Baptiste Debret esteve no Brasil entre 1817 e 1831. Naquela época, já havia por aqui algumas lojas de tecidos, modistas, armarinhos, mas as butiques que figuram na obra Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil são uma sapataria, uma padaria, uma barbearia, um armazém especializado em carne seca, um açougue de carne de porco e o mercado do Valongo, onde pessoas escravizadas eram vendidas.
A luta das mulheres para criar o Convento de Santa Teresa

Jacinta Rodrigues Aires, nascida no Rio de Janeiro em 1715, lutou para conseguir estabelecer no Brasil o primeiro convento feminino de Carmelitas Descalças, dedicado à santa espanhola Teresa D'Ávila. Ela deixou a casa de seus pais em 1742 determinada a se dedicar à vida religiosa. Conseguiu que o então governador Gomes Freire de Andrade mandasse iniciar, em 1750, a construção de um convento no até então nomeado morro do Desterro, que viria a se chamar morro de Santa Teresa. Jacinta enfrentou o bispo diocesano D. Fr. Antônio do Desterro Malheiros, que não via com bons olhos sua devoção e apresentou denúncias contra ela na Inquisição de Lisboa. Ela morreu como beata, em 1768, sem ver seu convento reconhecido, o que só aconteceria nove anos depois.
A renovação da pintura de paisagem por Henri-Nicolas Vinet

O pintor francês Henri-Nicolas Vinet desembarcou no Rio de Janeiro em 1856 e continuou a pintar paisagens en plein air, ao ar livre, como fazia nos arredores de Paris, tornando-se um dos protagonistas da renovação do gênero da paisagem no Brasil. A partir de 1860, o artista decidiu deixar a cidade e passar períodos em florestas próximas para pintar em contato direto com a natureza. Vinet conquistou muitos admiradores entre a burguesia brasileira que começava a colecionar arte.
A resistência e sustentabilidade da arquitetura indígena

A carta do escrivão Pero Vaz de Caminha e as xilogravuras do livro do aventureiro alemão Hans Staden deram aos europeus uma ideia de como viviam os povos originários do chamado Novo Mundo, mas suas habitações, construídas com materiais naturais e consideradas primitivas, não despertaram o interesse dos colonizadores e exploradores que percorreram o Brasil a partir de 1500. Apesar de toda a destruição causada por eles, a arquitetura nativa se adaptou e sobreviveu nas terras indígenas e hoje, diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas e ambientais, seu aspecto sustentável chama atenção.
As diferenças na moda entre as duas mulheres de D. Pedro I

A princesa Leopoldina (1797-1826), primeira mulher de D. Pedro (1798-1834), chegou ao Brasil em 1817, nove anos depois de a corte portuguesa ter se mudado para o país, em 1808, quando trouxe inúmeras novidades, entre elas o conceito de moda. Antes disso, mesmo a população mais endinheirada que vivia na colônia tinha pouco acesso a revistas que já existiam na Europa, lojas de vestuário e tecidos finos ou modistas
“A conquista do território brasileiro pelas galinhas”

O Brasil é hoje o terceiro maior produtor e o maior exportador de frangos do mundo. As primeiras galinhas domésticas chegaram ao Brasil no início do século XVI a bordo das caravelas de Pedro Álvares Cabral (1467-1520) e de outros colonizadores. Essa espécie de ave (Gallus domesticus) é nativa do sudeste da Ásia e teria chegado à Europa por volta do século VI a.C. e então trazida para cá. Sua sobrevivência em solo brasileiro deve-se sobretudo à recepção que tiveram pelos povos indígenas.”